sexta-feira, 6 de maio de 2011

DVD Ratos de Porão – Ao Vivo no Circo Voador

Ratos de Porão – Ao Vivo no Circo Voador
Monstro Discos – 2010 – Brasil


Após 4 anos da apresentação, finalmente liberaram esse fantástico DVD. E valeu a pena esperar. É o Ratos de Porão e suas porradarias de sempre, em ótima forma.
Analisando por partes, começamos no aspecto externo: caixinha e encarte simples, mas bonitos e completos, com o set list e ficha técnica. Tudo ok.
Agora, falando sobre as filmagens e a edição. O show infelizmente está em fullscreen (tela cheia), mas nada que incomode o espectador. Quando começa a apresentação em si, surge a dúvida: qual o sentido do timecode no canto inferior esquerdo da tela? Opção estética? Bem, o fato é que não acrescentou nada às imagens.
O som, meus amigos, é simplesmente perfeito. Tudo bastante cristalino e pesado, muito pesado. As imagens também são muito bonitas e bastante coloridas (o sistema de iluminação do palco funcionou muito bem). Entretanto, a câmera do fundo parece de qualidade inferior e destoa das outras, com uma imagem mais escurecida e parecendo fora de foco. Não falaria se não incomodasse. Mas é algo que se pode relevar.
Em relação à edição em si, é bastante tradicional, sem frescuras ou glamour. E em se tratando de RDP, por que precisaria? É só no corte seco e boa! As câmeras se movem constantemente, mas nada de ousadia. Um feijão com arroz que funciona, e muito bem. As imagens da grua se alternam entre colorida e preto e branco. Entretanto os efeitos de vídeo antigo nas partes PB (riscos na “película”) são desnecessários. Só detalhe.
Pois vamos à apresentação! Para começar, o esquema de emendar uma música após outra é uma grande sacada que dá muita força e dinâmica ao show. Entre os exemplos, podemos citar “Expresso da Escravidão” e “Poluição Atômica” na sequência, em que não há espaço para respirar. Muito bom.
Outro aspecto interessante notado é que em palcos pequenos, a RDP se adapta melhor. A relação próxima com os fãs fica muito mais intensa, é só ver os inúmeros stage dives, principalmente no início da apresentação.
Quanto à performance, simplesmente animal. Boka continua criativo e impecável, talvez o melhor baterista brasileiro de hardcore. Juninho com seus saltos quase acrobáticos são um show à parte. Por trás dos óculos, o carismático Jão detona na guitarra, com seus grandes e ótimos riffs, sem nunca esquecer o peso de seu instrumento. E João Gordo... bom, é o Gordo, então, vocês já devem saber o que esperar, certo? Enfim, todos sujos e agressivos (não, os adjetivos citados não são mera coincidência). Tocam com uma energia fora do normal. Muito intenso.

O legal de se assistir à banda ao vivo é admirar o jeito descompromissado com que tocam, soando bastante espontâneo, como se não dessem importância às câmeras que filmam o show. Ótima atitude. Gordo não faz questão de ser inteligível (nem nunca fez). Ele só extravasa, como um show desses “pede”. Muito legal.
E o repertório, meus amigos! Abrange todas as fases da carreira. Obviamente não deixaram de fora grandes hinos, como “Sofrer”, “Beber até Morrer”, “Crucificados pelo Sistema” ou “AIDS, Pop, Repressão” – esta exigida pelo público e prontamente atendida. Só que a RDP foi além. Os caras tocaram material inesperado, uma ótima surpresa para quem assiste ao DVD. Músicas como “Morte ao Rei”, e “Mad Society”, mesmo que incompletas, surpreenderam. Juntamente com elas, vieram as boas “Bad Trip” e a ácida “Suposicollor” (ambas do “Just Another Crime... In Massacreland” – um álbum injustiçado do grupo), relembrando os tempos de nosso antigo ex-presidente Fernandinho. Mortais!
“Descanse em Paz” ficou maravilhosa ao vivo, arrepiante. “Covardia de Plantão” é violentíssima, atordoante e avassaladora. “Morrer” é outra música fodida ao vivo! Curta, mas suficiente para destruir tudo! “Amazônica Nunca Mais” é perfeita! Muito empolgante. E na sequência, “Plano Furado II”, fenomenal. Destaque para a bela chuva de ranho que Gordo expele pelo nariz. Uma beleza. E até uma pincelada na hilária “Gil Goma” eles dão, para depois executarem a ótima “Farsa Nacionalista”. Sensacional.
Chegando ao final, como de costume, Jão deixa sua guitarra de frente para o amplificador, gerando aquela microfonia ensurdecedora, mas logo retornam para o bis com três clássicos: “Crianças Sem Futuro” (linda), “Velhus Decréptus” e terminam com “Crise Geral”. Aí, você pensa: “por que eu não estava lá? Por que não participei de um registro dessa importância? O quê? Já acabou???? Passou rápido demais!”. Lamentável.
No único extra do disco, fazem uma espécie de auto-entrevista com inserts em que falam de suas apresentações no local. Interessante o fato de ser um vídeo bem caseiro, despretensioso, com cortes mostrados sem preocupação. É apenas um registro simples, mas muito válido. Curiosidade: quando falam de uma história que envolve Jello Biafra (ex-Dead Kennedys), ficam imitando o cantor dizendo: “Who did this shit? You!”. Para quem não se lembra, as frases foram usadas no finalzinho da música “Breaking All the Rules” (cover de Peter Frampton), do álbum “Just Another Crime... In Massacreland”. Pronto, uma dúvida que assolava a humanidade agora é respondida!
“Ao Vivo no Circo Voador” é um registro mais do que merecido de uma das maiores bandas do Brasil. Demorou 25 anos para acontecer! É ótimo ver como esses caras chegaram aonde estão, passando por todas as dificuldades que passaram. É contraditório, mas o Ratos de Porão é a banda underground mais conhecida do país. Vendo os caras tocarem, parece mesmo amor à música.
Assim como “Guidable”, esse DVD aqui também é fundamental não só para fãs do RDP ou mesmo de hardcore/crossover em geral, mas para quem gosta de rock pesado, independentemente do sub-gênero!

NOTA 9,0

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Triptycon – Eparistera Daimones

Triptycon – Eparistera Daimones
Shinigami Records – 2010 - Suíça


Tudo bem, confesso, nunca tinha ouvido falar na Triptykon (vergonha!!!), e me surpreendi ao saber que o conjunto conta com Thomas Gabriel Fischer (ou Tom G. Warrior), a lenda que comandava o Hellhammer e o Celtic Frost. E o líder declarou que seu objetivo era fazer músicas bastante similares às dessa última. Inclusive algumas das faixas eram do próprio Celtic Frost, e seriam usadas no sucessor do álbum “Monotheist”, mas após desentendimentos e sua saída do conjunto, usou-as no Triptykon. Por aí, já se tem uma boa noção do que é esse “Eparistera Daimones”.
Consta no Myspace que são black metal, mas ao menos na parte instrumental, estão muito mais para um gothic/thrash/death, quase doom, lento e arrastado, por quase todo o trabalho. Há sim elementos black, mas estão muito bem camuflados nessa mistura de estilos obscuros.
Pois que comecem as músicas. “Goetia”, em seus exatos 11 minutos, é uma boa demonstração do que “Eparistera Daimones” oferece. Os riffs agonizantes logo chamam a atenção do ouvinte.
Mais para frente, “A Thousand Lies” foge da estética vagarosa do disco com sua alta velocidade e agressividade. Mas é uma música equilibrada com boas partes trabalhadas. A faixa seguinte, “Descendant”, é o destaque do trabalho. Uma música certeira. Logo após, “Myopic Empire” é outra que se diferencia do restante das músicas, tendo inclusive um piano que a deixa ainda mais densa.
Já “My Pain” conta com vocal feminino hipnótico e belíssimo, trazendo um lado mais gótico à canção. Por fim, fechando o CD, vem “The Prolonging”, com mais de 19 minutos de duração. Todo esse tempo é mais do que suficiente para apresentar todas as características do Triptykon. Com uma atmosfera soturna, torna-se agressiva, especialmente no trecho de levada com dois bumbos, para depois voltar ao sombrio, lento e bem trabalhado.
No total, o disco, com suas longas canções, resultam em quase 1 hora e 15 minutos de um som pesado e melancólico, sendo talvez este último adjetivo o que melhor define o som da Triptykon.
Na parte gráfica, estão de parabéns pelo cuidado e pelo capricho. A capa é linda, e conta também com belas ilustrações nas páginas do encarte. Além disso, juntamente com as letras, existem textos que explicam seus significados, informações e curiosidades sobre como foram compostas. Uma grande ideia que nos faz questionar por que todas as bandas não poderiam fazer isso. Os temas? Aqui estão, retirados diretamente do site oficial do grupo: “história, ocultismo, desintegração humana, fanatismo religioso e niilismo”.

NOTA 8,0

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Entrevista relâmpago - Looking for an Answer

Na última semana o blog Som Extremo entrevistou o guitarrista Felix, da banda espanhola Looking for an Answer, que ganhou popularidade no Brasil após o lançamento de um split com o Ratos de Porão no ano passado (ver resenha do split em http://somextremo.blogspot.com/2011/04/ratos-de-poraolooking-for-answer-split.html ). Com um humor meio ácido, Felix respondeu às perguntas por e-mail de forma bem sucinta, já que disse que estava meio ocupado no momento. Além dele, os outros membros da LFAA são: Makoko (guitarra), Moya (bateria), Iñaki (vocal) e José Ramón Rodrígues García (baixo).
Som Extremo: Por favor, fale um pouco sobre a Looking for an Answer.
Felix
: Tocamos um grindcore cru e old school na Espanha. Se quiser dar uma olhada, aqui vai o nosso Myspace:
www.myspace.com/lfaa

Som Extremo: E quais as novidades sobre a banda?
Felix
: Estamos aguardando pelo lançamento do novo álbum “Eterno Treblinka”, que sairá pela Relapse em CD, e pela Power it Up (Alemanha) e Deepsix (EUA) em LP 12’’ (vinil).

Som Extremo: A Looking for an Answer tornou-se cada vez mais extrema através dos anos. Existe algum segredo para isso?
Felix
: Sim, com certeza. É um segredo do Moya (baterista). Ele tem o “segredo mais secreto” da sociedade do blast beat.


Som Extremo: Como é o processo de composição da LFAA?
Felix
: Geralmente começamos com riff por riff e posteriormente passamos para as letras. Às vezes alguém já traz uma música completa para o ensaio.

Som Extremo: Qual álbum do LFAA é o favorito de cada membro da banda?
Felix
: Com certeza nosso último álbum, “Eterno Treblinka”.

Som Extremo: Como foram as gravações do split com o Ratos de Porão? Como apareceu a oportunidade?
Felix
: Tocamos com eles algumas vezes quando vieram à Espanha, e então propuseram fazer esse split. Eles nunca gravaram um split antes, e o LP 10’’ é ótimo.

Som Extremo: E você conhece outras bandas brasileiras?
Felix
: Claro, Rot, Mukeka Di Rato, Hutt, Plague Rages, e várias outras que esqueci.

Som Extremo: É fácil viver de música extrema na Espanha?
Felix
: É sim, sobrevivemos sem problemas até agora.

Som Extremo: Como você vê o underground atualmente? Que bandas você recomenda?
Felix
: Há tantas novas bandas em todo lugar, são muitas para mim. Recomendo 100% a você a banda Parlamentarisk Sodomy.
Som Extremo: Quando a LFAA virá ao Brasil?
Felix
: Só quando alguém pagar nosso avião e conseguir uma van cheia de equipamentos. O resto é com a gente.

Som Extremo: Alguma mensagem aos fãs brasileiros?
Felix
: Infelizmente receio que não temos fãs brasileiros. De qualquer modo, agradeço pela entrevista. Cuide-se e aproveite. “Vegan up your ass.”


Aqui, a música “La Matanza”, a música que o RDP escolheu para fazer a cover do LFAA:


terça-feira, 3 de maio de 2011

Anonymous Hate - Worldead (Promo CD)

Anonymous Hate - Worldead (Promo CD)
Independente – 2010 - Brasil

Que beleza, que beleza! Mais uma ótima banda death/grind nacional dando mais fôlego ao estilo! Não canso de dizer que o grindcore tupiniquim não deve absolutamente nada para nenhum outro país. Eis aqui mais esta prova disto. E com um detalhe: outro conjunto vindo de um estado até então sem tradição no som extremo: o Amapá. Não é mais só em Minas, em São Paulo ou no Rio Grande do Sul que surgem grandes bandas de gênero extremo.
E esses caras têm muita garra. Fazem daqueles sons bem desgraceira, muito brutais e o principal: com técnica! Nada de barulhos sem sentido, eles dominam seus instrumentos e surpreendem pela violência musical. As três músicas que compõe “Worldead” parecem verdadeira munição de canhão. Impressionante.
Destaques latentes para a habilidade e velocidade extraordinária do baterista Alberto Martínez e também para os solos de guitarra (não há informação sobre quem os toca), inspirados e muito bem executados, coisa que não é lá muito comum nesse estilo (o grind, e não o death). Um grande diferencial para a banda.
Outro trunfo do grupo: a Anonymous Hate passou pelas mãos de Ciero (Da Tribo Studio). O resultado sonoro? Produção excelente! Uma magnífica perturbação dos tímpanos. Por essas e outras, fica evidente que a banda investiu pesado, demonstrando a que vieram. Musicalmente, é o profissionalismo saltando aos olhos.
Quanto à arte do encarte, é apenas razoável e não veio com letras, mas sem dúvida, a concepção da montagem dá a cara da proposta do conjunto.
Em apenas três faixas, já dá para dizer que a Anonymous Hate é outra banda que tem tudo para estourar. Download da demo:

NOTA 8,5

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Enthroned – Pentagrammaton

Enthroned – Pentagrammaton
Shinigami Records – 2010 – Bélgica

A introdução “In Missi Solemnibvs” até tenta criar um clima, mas no fundo, é desnecessária. Entretanto depois, a coisa engrena, e logo de cara, na música “The Vitalized Shell”, o que se percebe é que a banda fez um som bem calcado nas raízes do black metal, inclusive com uma gravação não tão boa. Proposital? É bem provável. Em suma, está com sonoridade típica das bandas black dos anos 90, especificamente do cenário norueguês.
No geral, as composições estão diretas, sem firulas, bem “true”. E sai da frente, que os caras estão pisando fundo no acelerador. Provas disso são faixas como “Rion Riorrim” e a certeira “Magnvs Princeps Leopardi”, por exemplo. Puro massacre sonoro.
Entretanto, a Enthroned mostra  que tem seu lado técnico, com diferentes mudanças de andamento, fazendo suas músicas ao mesmo tempo trabalhadas e extremas, o que já é um diferencial para o conjunto. Ouça a faixa-título e entenda o que estou dizendo.
Um descanso com “Ad Te Clamamvs Exsvles Morvua Liberi”, e vem “Unconscious Minds”, com uma levada cadenciada, também bastante típica do black metal. Com quase 9 minutos de duração, é a música menos porrada de “Pentagrammaton” (sem contar a intro e a supracitada “Ad Te Clamamvs Exsvles Morvua Liberi”, que não são exatamente músicas). E a obra volta a pegar fogo (afinal, é infernal), fechando com “Behemiron”, curta e precisa.
O encarte recria aquele ambiente dark, com fotos em preto e branco e escurecidas, e as letras louvam a escuridão, como de praxe.
Vou dizer uma coisa: meu álbum favorito provavelmente sempre será o “Carnage in Worlds Beyond”, não tem jeito. Mas o cru “Pentagrammaton” deixa uma forte marca na discografia da Enthroned. O trabalho não apresenta nada de novo: ao contrário, enfatiza o velho e clássico black metal de quase duas décadas atrás, para a alegria dos fãs daquela época.

NOTA 7,77
(homenagem ao final da letra de “The Vitalized Shell” ahah)

domingo, 1 de maio de 2011

Intestinal Disgorge – Depravity

Intestinal Disgorge – Depravity
Carnificina Records – 2010 – Estados Unidos


Quem curte um bom gore/grind/splatter com certeza já ouviu falar ou mesmo chegou a acessar um antigo webzine chamado “Carnificina Grindcore”, talvez o mais completo site brasileiro de bandas desses gêneros e suas extensões. Infelizmente há vários anos o site saiu do ar, e quando tudo parecia perdido, aparece o selo Carnificina Records (com o mesmo responsável - Marcelo Medeiros) que, de certo modo, leva adiante o legado deixado pelo zine eletrônico. Ainda bem!!!
E para fãs desses tipos de música tão extrema, o Carnificina (http://carnificina.com/) traz o nome Intestinal Disgorge, que com certeza freqüenta a lista de CDs de suas coleções. Esses americanos anormais começaram a carreira com álbuns bizarros, mas muito bons. Era uma descarga sonora que misturava noisecore com os estilos citados no começo, e um “vocal” que parecia uma mulher desesperada, gritando do mais fundo de seus pulmões, como se estivesse sendo violentamente torturada. Mesmo com uma produção meio tosquinha, ainda digo: “Ah, bons tempos!”
Entretanto, no ano passado o Intestinal Disgorge chegou com esse “Depravity”, que apresenta uma proposta um pouco menos radical, digamos assim. Mas não, não ficou ruim, muito longe disso! Agora a banda traz um som mais encorpado e trabalhado, com ótimos instrumentais, mas com vocais um pouco mais comedidos. Existem aqui ou lá uns ruídos no meio das músicas, mas não como antigamente. Enfim, tornaram-se uma banda menos noise e mais “séria”.
Em “Depravity”, a banda apresenta 60 músicas em quase 45 minutos, com várias introduções que remetem ou ao pornô, ou ao gore. Sim, aqueles sonzinhos de orgasmos e vômitos parecem que nunca irão abandonar a banda.
Destaques? Não sei se seriam exatamente um, mas as faixas “Vomiting Rotten Pussy Giblets” e “Shit Splattered Erection” apresentam um andamento pra lá de estranho, e por que não, original. Elas ficam alterando a velocidade das levadas, do nada, como se fosse um defeito no disco. No mínimo, hilário e exótico. Mas no resto, apresentam músicas curtas, diretas, velozes e sem dúvida, empolgantes. Pornogrind/splatter/gore de muito respeito, e com uma produção muito boa em se tratando desse tipo de música.
Quando ao encarte, destaque para a polêmica capa, que prende a atenção de imediato. É impossível não lembrar da ilustração não censurada do “Tomb of the Mutilated”, do Cannibal Corpse. Só que essa choca um pouco mais, já que a figura parece real. Impressionante. O material não vem com as letras, mas apenas uma mensagem “filosófica” dos malucos. Mas vendo os títulos, percebe-se que continuam afiados quando o assunto é nojeira e escatologia.
Para quem sempre teve receio em adquirir uma coisa tão estranha que é o trabalho da Intestinal Disgorge, agora pode se despreocupar de vez e correr atrás de “Depravity”, o álbum mais maduro dos texanos.

NOTA 8,0

Division Hell - 2 músicas

Division Hell - 2 músicas


Se eu tivesse que apostar minhas fichas em uma banda extrema promissora no Brasil, provavelmente seria na Division Hell, de Curitiba/PR. Não estou exagerando. O material que esses caras mandaram, mesmo resumido a 2 músicas, já impressiona pela maturidade e qualidade. E tão impressionante é também a idade da banda: menos de 2 anos! O grau de profissionalismo assusta.
Segundo Ubour, guitarrista e vocalista, “o Division Hell faz um som pesado, rápido e empolgante. As raízes são cravadas no Death Metal, mas o DH não deixa de flertar com o Thrash e o Black, e sempre de olhos e ouvidos em tendências mais modernas.” E quem sou eu para discordar, não é mesmo? Os caras fazem exatamente essa mescla de estilos, sendo o último menos evidente.
Pois bem, falando das 2 músicas: a primeira, “ApokaliptikA”, já começa brutal, com um velocíssimo blast beat. Quando ouvi, achei até que fosse bateria programada, mas depois de conferir os links deixados por Ubour (lá embaixo), percebi que existe um humano por trás das baquetas, e atende pelo nome de Eduardo Oliver. Prosseguindo no som, muito bem trabalhado por sinal, ocorre uma boa mudança de ritmo, mas as levadas são sempre empolgantes. E há mais para frente também um belo solo, que se encaixou completamente com a estrutura da música. Muito bom.
A outra se chama “Flesh Blood Desire”, e ao contrário da primeira, começa de maneira cadenciada. Mas conforme o andamento, voltam à brutalidade que se destacou no trabalho do grupo. E a forma como o refrão é cantado ficou realmente ótima, com as frases se encaixando muito bem na parte instrumental. Mais um bonito e profundo solo surge, mostrando uma sonoridade virtuosa, mas não exagerada. E retornam ao maravilhoso refrão.
O único problema cometido pela Division Hell foi enviar somente esses 2 sons. Por outro lado, dá aquele gostinho de ansiedade pela espera do full-lenght! Mas que não demore. Vão por mim, ainda ouviremos falar muito desses caras!

NOTA 9,0