sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pervencer – Extermination is Right (EP)

Pervencer – Extermination is Right (EP)
Independente – 2011 - Brasil

Banda brasileira de death metal técnico, algo ainda não muito comum por aqui. Já saem na frente por esse fato. Mas a Pervencer também bebe muito do bom thrash. Outras influências dos paulistas: Necrophagist, Decapitated, Death e Cannibal Corpse, citando algumas. Bom assim, né? E consta também que passam pela escola do metal progressivo. Enfim, uma salada ousada e que dá bons resultados.
Logo de cara, fica claro que não são daquelas bandas querendo ser a mais extrema e veloz do universo. Ao invés disso, prezam pela qualidade e boa estrutura das músicas. Até há momentos de pura velocidade, mas são poucos.
 “Destruction of Your Body” começa o EP com bumbos marcantes, compassados com o ritmo da música. É quebradona e cheia de diferentes levadas. Em seguida, vem “Hypocrisy”, outra canção muito bem trabalhada, e cujo destaque mais uma vez é o par de bumbos do baterista Fábio Amaro. A faixa seguinte – “The Real Nightmare” – mantém o Pervencer na complexidade musical a que se propuseram, com o baixista Nando Ferreira dando um show com seu instrumento. No final do som, a banda mostra seu lado mais agressivo com uma pegada mais porrada. E fechando o EP, temos “Disease”, a mais direta e furiosa do trabalho.
A capa é um espetáculo, assim como o logotipo da banda. Infelizmente, não vieram as letras, mas segundo o release enviado, as temáticas abordam política, guerra, história e ufologia. A gravação é boa, algo exigido para o estilo que a banda se propõe a fazer.
De maneira geral, a Pervencer agrada fãs de diferentes estilos de música extrema. O que mais chama a atenção na totalidade da obra são os riffs e solos, sempre caprichados. Em compensação, o vocal é até macabro, mas parece um pouco rouco e soa meio sem peso em relação ao instrumental. Pode ser apenas impressão do que aqui resenha, mas é algo que se releva perto do grande resultado desse “Extermination is Right”.
Eles também gravaram um clipe muito bem produzido de “Destruction of Your Body”, que pode ser conferido abaixo:


NOTA 8,0
Fones: (15) 3213-4001 / (15) 3226-1145 / (15) 9112-5296 / (15) 3226-6617 / (15) 8124-3187

Problemas no Blogger

Pessoal, como alguns devem ter notado, sumiram os últimos posts do blog. Devem voltar logo. O Blogger esteve/está em manutenção, e por isso não está, ou estava permitindo novos posts. De qualquer forma, hoje à noite, sexta para sábado, se não houver imprevistos como esse, haverá uma entrevista com a banda grindcore Expurgo. Até lá!!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Deicide – To Hell With God

Deicide – To Hell With God
Shinigami Records – 2011 – Estados Unidos


Novo trabalho do americanos mais satânicos do death metal. O Deicide se renova com “To Hell With God” sem deixar a podridão de lado.  Mas agora, as coisas parecem diferentes. É outro Deicide, muito mais maduro e coeso.
E o que se tem falado realmente confere: Steve Asheim fez um trabalho extraordinário na bateria. Os dois bumbos não têm descanso. O cara está ainda mais criativo e acaba carregando boa parte do poder da banda nas costas. Além dele, a figura do vocalista/baixista Glen Benton – identidade do Deicide - continua forte. Apesar disso, seu vocal está um pouco menos cavernoso, ponto negativo para o conjunto. E assim como no Obituary, as músicas estão com mais solos, responsabilidade de Ralph Santolla, guitarrista de ambas. O cara está fazendo muito bem a elas nesse aspecto. Já Jack Owen segura as pontas e fortalece mais o álbum com seus riffs afiados.
O Deicide continua muito extremo, mas agora está mais técnico do que nunca. Tudo se encaixa em seu lugar, tudo certinho. Até demais. Alguma herança da Vital Remains, ex-banda de Benton? Quem sabe. Mas enfim, a sujeira de antigamente agora dá lugar a guitarras bem polidas e até virtuosas. Nessa obra, buscaram a perfeição, e se não a atingiram, podem acreditar que estiveram realmente próximos a isso. As músicas estão com uma produção excepcional, mais estruturadas e melódicas.
Entre as que se sobressaem, podemos citar a faixa-título, que abre o CD, e mostra bons cantos encaixados com o ritmo da canção, em especial nas partes lentas. “Conviction” tem uma levada cadenciada e bem empolgante, e um solo bem bonito. E falando em solo, em “Empowered by Blasphemy” o Deicide até lembra uma banda de power metal enquanto Santolla debulha seu instrumento. Não sei se é algo bom ou ruim, mas é um fato.
Continuando na análise, “Hang in Agony Until You’re Dead” é talvez a melhor do disco, por ser a mais trabalhada e mostrar todas as faces do Deicide. Por sua vez, a próxima faixa – “Servant of the Enemy – é a mais agressiva e direta. Muito boa. Finalmente, a ótima abertura da música que fecha o trabalho impressiona e, embora o riff durante os cantos não seja nenhuma grandiosidade, o refrão de “How Can You Call Yourself a God” é irresistível. Você berra junto. Grande encerramento para o disco.
A capa é uma pequena obra-prima, em que mostra uma ilustração belíssima e detalhada. Quanto às letras, parecem mais longas. Incrível como o vocalista arruma tanto conteúdo falando do mesmo assunto, o satanismo/anti-cristianismo. O resto do encarte segue obviamente a mesma estética e resulta em algo bem acabadinho.
Em relação ao resultado final do material, tenham em mente uma coisa importante: “To Hell With God” é um tremendo álbum death metal, e portanto, já está entre os grandes do estilo. Entretanto, por ser um álbum do Deicide, soa meio... estranho. Sem levar isso em consideração, vocês estão diante de uma verdadeira aula de metal extremo.

NOTA 9,0

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Entrevista – Facada

Entrevista – Facada

Se você perguntar a um fã de grindcore qual a maior banda do gênero no Brasil atualmente, é bem provável que a pessoa responda ser o Facada. E não é para menos. Os caras lançaram inicialmente uma excelente demo, e na sequência seu primeiro full-lenght, “Indigesto”, perfeito. Já no ano passado, soltaram “O Joio”, outra pérola da cena underground. Mas os trabalhos do Facada não se limitam a classificar o conjunto como apenas mais uma banda grind. Os dois álbuns são dignos representantes mundiais do gênero!
E o blog Som Extremo entrevistou James, baixista e vocalista da banda, um cara centrado e humilde. Além dele, completam a banda Dangelo (bateria), Ari (guitarra) e Danyel (guitarra). E grind neles!

Som Extremo: É difícil encontrar algum material falando da história da banda. Poderia contar um breve histórico?
James: Éramos amigos só que em bandas diferentes. Daí eu e o Dangelo resolvemos montar uma banda de grindcore só pra gente ensaiar, beber... chamamos o Ari e assim foi feito. Gravamos a demo apenas de birra, pra escutar em casa mesmo, até por que tínhamos as outras bandas... mas o Facada foi mais forte que a gente.

Som Extremo: “Indigesto” e “O Joio” são álbuns dignos de grandes clássicos do grindcore mundial. Vocês têm essa noção? Existe alguma pressão para segurar essa grande responsabilidade?
James: A gente não tem muita noção. Somos apenas uma banda querendo fazer músicas melhores pros nossos amigos gostarem. Ficamos felizes com mais e mais gente curtindo nosso som, mas ainda somos bem pequenos. O mais importante é termos o respeito das pessoas e que elas vejam que o que fazemos é sincero. Existe pressão quando isso se torna seu emprego, que você TEM que fazer uma música, seja ela boa ou ruim, fazendo com que as bandas se tornem de plástico.




Som Extremo: Atualmente o Nordeste parece ser o berço das melhores bandas grindcore do Brasil. Como exemplo, temos vocês, o Expose Your Hate e o S.O.H., para citar os mais famosos. Como é a cena por aí?
James: No Nordeste temos uma cena muito prolífica. Sempre tem gente organizando algo, fazendo banda, fazendo show na raça, quase de graça. Não apenas no grindcore, mas no hardcore e no metal em geral, todos somos um só, não existe competição. Um dia desses uma banda de Surf Music tocou com uma de Gore e sem qualquer problema, apesar das cenas também correrem em paralelo.

Som Extremo: Como funciona o processo de composição das músicas e das letras do Facada?
James: Geralmente cada um chega com a música pronta na cabeça, e no ensaio, todo mundo dá pitaco. No “Joio”, todo mundo da banda fez música, mas quem mais faz sou eu e o Ari. Estamos gravando o próximo trabalho agora e ele já gravou sete com o Dangelo, e temos umas oito pra acabar por aqui. A maioria das letras são minhas. As do “Joio” foram todas minhas. No “Indigesto” e na demo o Ari fez também.

Som Extremo: Quais as dificuldades em tocar música extrema?
James: Como diz a galera: Quem tá no rock é pra se fuder. A música extrema é pior por que as pessoas não levam a sério, pensam que você está brincando. Mas todos que tocamos isso, já estamos cientes das dificuldades e sabemos contornar muito bem as situações, daí o que vier é lucro. Reclamar não resolve problema.

Som Extremo: Vocês têm outros empregos, ou conseguem viver somente da música?
James: Nunca viveremos de grindcore. Não temos essa intenção. Eu trabalho numa agência de design, o Dangelo é Luthier e músico profissional, o Danyel trabalha como músico e designer freelancer e o Ari vende o corpo em Berlim.


Som Extremo: Quais os planos futuros do Facada?
James: Estamos desenvolvendo o novo disco agora. Já começamos as gravações, falta gravar muita coisa ainda, ajustar muita coisa, mas acredito que daqui pro fim desse ano estaremos com algo em mãos. Enquanto isso, vamos fazendo a “Tour d'O Joio” ainda.

Som Extremo: Por que "O Joio" ficou tão curto, dando aquele sabor que quero mais? E por que apresenta sessões de gravações diferentes?
James: Não temos a preocupação se o disco fica curto ou não. O importante é que ele fique bom com o que temos. Além disso, é muito melhor você querer escutar o disco de novo do que não aguentar escutá-lo inteiro. Tem duas gravações por que foram gravados com dois guitarristas em duas sessões diferentes no estúdio.


Som Extremo: Quando virão tocar por São Paulo?
James: Tem muitas confabulações sobre a nossa ida a Sampa. Estamos doidos pra ir praí. Tem muita gente que a queremos ver e rever, e vice-versa. Já tivemos uns convites, umas campanhas, nada de concreto. Mas... acho que até o fim desse ano isso se resolva.

Som Extremo: Agradeço muito a entrevista, James! Algum recado final, ou para os fãs?
James: EU que agradeço o espaço disponibilizado. Um grande abraço em todos os que curtem o Facada e KEEP GRINDING!!!

Abaixo, o clipe de “O Cobrador”, do disco “Indigesto”:





 

domingo, 8 de maio de 2011

Deus Castiga – I’m alive fucking dead (demo)

Deus Castiga – I’m alive fucking dead (demo)
DC Records – 2010 – Brasil


Sabe daqueles grindcore bem sujos e caóticos? Pois então, apresento a Deus Castiga, outra competente banda brasileira do estilo.
A demo, estranhamente intitulada “I’m alive fucking dead” (ao ler a letra, você entende o sentido), possui 12 músicas (!) calcadas na velocidade extrema. As influências são da velha e da nova escola do grind: Napalm Death, Pig Destroyer, Nasum, Are You God?, e Hutt, entre outras.
Após a boa intro, o massacre de fato começa. E o pessoal da Deus Castiga tem pressa, muita pressa! “Ominous Dark” dá a cara da banda, e o restante das faixas seguem a mesma linha, quase todas sem exceder dois minutos (somente “My Blood is Racing throug My Veins” tem 2’03’’). Resumindo? Músicas brutais, bem estruturadas e sem descanso.
Difícil inclusive destacar alguma, já que todas têm um poderio avassalador. Toneladas de peso em forma de decibéis. Mas com esforço, recomendo “Fortune Cookie Jedi” e seus bons riffs.
Anderson faz um vocal rasgado cujo timbre é bastante semelhante ao de bandas black metal. Mas ele também é dono dos guturais, embora os use em menos quantidade. É incrível, pois você juraria que são dois vocalistas distintos. E claro, os holofotes ficam para o baterista Tiago, um cara que não sabe brincar com as baquetas. “Impressionante” é a primeira palavra que vem à mente ao ouvir seu trabalho na demo.
A arte do encarte é simples, mas bonita, em especial a capa, muito bem feita. As cores vivas foram muito bem utilizadas no material.
A gravação está muito boa, embora a bateria meio que se sobressaia um pouco e encubra levemente os outros instrumentos, principalmente nos blast beats, mas as músicas são tão encorpadas que isso não chega a comprometer o material. Agora, apenas uma sugestão para essa promissora banda: apesar de divertido e criativo, o nome “Deus Castiga” pode não trazer muita credibilidade no meio underground, ainda mais com letras sérias (temas apocalípticos e agonizantes) e cantadas em inglês. Não seria melhor mudar o nome? Fica a dúvida.
Mas já se percebe que o grupo vai longe, e facilmente honrará com louvor a cena extrema tupiniquim, e quem sabe, fora daqui também. Talento eles têm. E uma advertência: essa demo vicia.

sábado, 7 de maio de 2011

Grave – Burial Ground

Grave – Burial Ground
Shinigami Records – 2010 – Suécia


Direto ao ponto: os suecos executam um thrash/death (mais para esse último) com um pé na velocidade (não extrema). Já começa com a porrada “Liberation”, com potentes vocais de Lindgren, que continuam afiados e assustadores. Novamente é o elemento mais impactante no Grave.
Na sequência, “Semblance in Black” é ainda mais agressiva e rápida, mas lá pelo meio, cai para um ritmo cadenciado, mostrando que nem só de velocidade vive o som extremo. Depois de 2/3, voltam com a porradaria, uma das marcas registradas do conjunto. Também temos a lenta (ou menos veloz?) “Dismembered Mind”, que mostra um lado mais técnico da banda. “Sexual Mutilation”, uma regravação da demo de 1989 que leva o mesmo nome, é a mais violenta do disco. A melhor do CD. A penúltima faixa, “Bloodtrail”, conta com uma participação mais do que especial de Karl Sanders (Nile). Já vale a pena dar uma conferida só pelo cara.
E o álbum fecha com a faixa-título que, em seus mais de 7 minutos, inicia-se lenta para depois... bom... continuar arrastada. Sinceramente? A mais sem sal do CD. Uma pena, pois começaram bem na citada ”Liberation”, e foram esfriando ao longo do play.
O encarte apresenta uma bonita e detalhada arte, mas nada de extraordinário. Detalhe: não tem o line up da banda! As letras figuram em temas pessimistas, densos e obscuros. A gravação é boa e suja, dando aquela cara underground que uma banda de death metal deve ter.
Mas no aspecto geral, nenhum grande destaque. A Grave segue seu caminho em linha reta. Não se arrisca a sair do arroz com feijão. “Burial Ground” acabou parecido com o anterior, “Dominion VIII”, apesar da produção superior. Até a música que fecha esse último tem mais do que 7 minutos! É talvez um pouco (bem pouquinho) mais agressivo e só. O material soa um pouco repetitivo. Não deixa de ser empolgante, mas dá a impressão de que falta alguma coisa. Quem sabe, o receio de “desengessar” seu estilo.

NOTA 7,0