terça-feira, 17 de maio de 2011

Entrevista - Offal

   
           A Offal é uma banda assumidamente old shcool death metal. Seu estilo bastante tradicional conquistou muitos fãs, especialmente após o lançamento do álbum “Macabre Rampages and Splatter Savages”, muito bem gravado por sinal, no ano passado (ver resenha em http://somextremo.blogspot.com/2011/04/offal-macabre-rampages-and-splatter.html) . De lá para cá, os caras lançaram também, quase que simultaneamente, mais 2 splits, e querem sempre mais. O blog Som Extremo entrevistou os vocalistas André Luiz e Tersis Zonato, que também é dono da guitarra da Offal. Além da dupla, João Carlos Ongaro (baixo) e Eduardo Tobe (bateria) completam o line up do conjunto.


Som Extremo: A escolha de fazer um old school death metal surgiu naturalmente, ou sempre foi a proposta da Offal?
André: Sempre foi nossa proposta, desde o princípio! Nós vivemos de forma muito expressiva o auge do Death Metal no final dos anos 80 e início dos anos 90, sempre estivemos muito ligados a isso e então quando resolvemos montar a banda o foco principal sempre foi orientado a essa era fantástica do Death Metal mundial.

Tersis: Particularmente, nunca me interessei muito por essas chamadas bandas de “Brutal Death Metal” de hoje em dia, com algumas excessões, é claro. Mesmo que o gênero tenha se “desenvolvido” dessa forma, ainda prefiro aquela linha mais tradicional. Talvez por isso as composições naturalmente surgem através da busca por esse espírito mais antigo. Porém, quando entrei na banda, a mesma já tinha essa proposta.



Som Extremo: Tocando esse tipo de música declaradamente, a Offal não teme ficar “presa” no estilo?
Tersis: Por vezes trazemos alguns elementos um pouco mais “modernos” para nossa música, mas sem deixar de lado aquele lado primitivo. Algumas ideias diferentes acabam surgindo uma vez ou outra, mas acredito que vamos continuar trilhando por esse caminho mais tradicional, sem fugir de nossas origens.


Som Extremo: Como tem sido caminhar na cena underground desde 2003, quando a Offal foi criada?
André: “Cena underground”? Pra mim isso não existe já faz muito tempo, no Brasil é claro! Enquanto no exterior o pessoal realmente age de forma conjunta, apoiando selos e bandas, adquirindo material original, indo a shows e etc... aqui tudo continua a mesma m... de sempre ou pelo menos a mesma m... de bastante tempo atrás! São cada vez mais raros os consumidores de material original, os blogs de download de material se proliferam dia-a-dia, os eventos do gênero raramente conseguem levar 100 pagantes... a triste realidade é essa! Hoje é realmente muito difícil falar em “cena”, pelo menos para nós ela não existe!



Som Extremo: Quais as maiores dificuldades em se fazer música extrema no Brasil?
Tersis: Como outras linhas artísticas, é muito difícil obter reconhecimento. Não que pretendamos tornar algo mainstream, porém recebemos pouco suporte. Acredito que as mídias especializadas e principalmente os fãs deveriam apoiar as bandas nacionais, não apenas comprando materiais, mas participando dos shows e eventos. Antigamente havia muito boato e desentendimento, mas acredito que esse tipo de coisa já não está mais acontencendo com tanta frequência, o que é positivo.


Som Extremo: Como é o processo de composição das músicas? E das letras?
Tersis: Normalmente cada membro surge com ideias ou grava um “rascunho” de como imagina a música, estruturando os riffs. Nos ensaios tentamos encaixar e montar da melhor forma, dando sempre a liberdade para todos opinarem. O André cria a linha vocal e as letras e então começamos a refinar as ideias, retrabalhando a estrutura e buscando a melhor forma de expressar a mensagem que queremos passar.



Som Extremo: Vocês parecem ter entrado em um ótimo ritmo produtivo. Como exemplo, tem-se os lançamentos de um full-lenght e dois splits em curto espaço de tempo. Existe alguma fórmula para isso? Quais os planos futuros da Offal?
André: O fato de os materiais terem saído simultaneamente foi apenas uma grande coincidência. Apesar de gravados na mesma sessão de estúdio e de terem sido enviados para os selos que os lançaram praticamente juntos, estávamos sujeitos a diversos fatores que geralmente atrasam o lançamento dos materiais. Felizmente os selos trabalharam bem rápido e os materiais acabaram saindo em curto espaço de tempo e praticamente no mesmo período. Quanto aos planos futuros, devemos tocar mais vezes “ao vivo” e compor novas músicas para algum futuro lançamento, mas gravar novo material somente em 2012 mesmo!


Som Extremo: Façam um top 5 de seus álbuns favoritos.
André:
AUTOPSY - Mental Funeral
IMPETIGO - Ultimo Mondo Cannibale
REPULSION - Horrified
NAPALM DEATH - From Enslavement to Obliteration
MORBID ANGEL - Altars of Madness

Tersis: Numerar APENAS 5 é muito difícil. Como estamos focando no Death Metal, vou tentar separar 5 do estilo, mas com certeza vou esquecer de algum:
AUTOPSY - Mental Funeral
DEATH - Leprosy
DEICIDE - Legion
MASSACRE - From Beyond
MORBID ANGEL - Altars of Madness



Som Extremo: Mais alguma coisa?
André: Comprem materiais originais, apoiem bandas e selos comprando material original! Fodam-se o download, blogs de download e todos aqueles que promovem e apoiam esse tipo de prática!


Som Extremo: Valeu pela entrevista, pessoal, um grande abraço, e sucesso extremo para a Offal!
Tersis: Muito obrigado pelo apoio. Aproveito para convidar a todos para acessarem nosso site oficial www.offalgore.com. Lá temos muitas informações sobre o Offal, além de links para outros canais como MySpace (www.myspace.com/offalxxx), ReverbNation (www.reverbnation.com/offal), YouTube (www.youtube.com/offalgore) e muitos outros. Continuem conferindo o site, pois estamos sempre atualizando com mais novidades.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Putridity- Degenerating Anthropophagical Euphoria

Putridity- Degenerating Anthropophagical Euphoria
Willowtip – 2011 – Itália


                Para constar: essa resenha não estava nos planos, mas fiquei tão chocado quando adquiri o trabalho, que tive que correr para digitar esse ódio.
Se “Paradogma”, da banda Hour of Penance, definitivamente colocou a Itália no mapa da cena extrema mundial no ano passado, esse aqui, meus amigos, veio para reforçar com galhardia o fato em 2011. E sim, podem apostar que esses desumanos conseguiram fazer algo ainda mais brutal do que o H.O.P..
Vou confessar uma coisa: literalmente julguei pela (linda) capa... e acertei em cheio! Quando você dá o play no disco, tem a impressão de que um grande terremoto se iniciou em seu ouvido. Nunca se desejou tanto uma tragédia sonora dessas. Fabuloso! Chega a ser absurdo o grau de brutalidade que a banda atingiu. Fenomenal, e melhor, muito bem gravado.
O vocalista Paolo é excelente. O timbre lembra um pouco o de Matti Way, do Disgorge americano. Quanto às guitarras com baixa afinação e baixo bem metalizado, fazem seu trabalho, sem contudo haver um solo sequer. Pecaram nisso, mas diante da catástrofe da obra, é irrelevante. E sem dúvidas, quem rouba a cena é o insano baterista Davide. O cara é técnico e muito, muito veloz.
E sai debaixo, que o álbum é pedrada... melhor dizendo, é uma avalanche de uma ignorância sem tamanho. Não há destaques. É impossível. Todas avassaladoras, todas!
Eles provam que isso não é fazer barulho desconexo, mas sim ter qualidade no que apresentam. Pois é, meus amigos, pode ser uma ousadia minha, mas declaro que o negócio aqui é um dos melhores álbuns de brutal death já lançados na história.
Podre, desgraçado, maravilhoso! Quando você acha que já conheceu tudo de brutal, aparece o Putridity. Na verdade, a banda já tem outros full-lenghts, mas esse é o mais mortal. Um play que atordoa. Altamente indicado para fãs de Hate Eternal, Krisiun (antigo) e o citado Hour of Penance. Você não sairá incólume a esse “Degenerating Anthropophagical Euphoria”. Muito impressionante e mais do que recomendado.
Só para dar o gostinho, 2 atrocidades do baterista Dave tocando as músicas “Pursue the Suicidal Breed” e “Molesting Vomited Decapitation”, do álbum “Mental Prolapse Induces Necrophilism” (2007).






NOTA 9,5


Abattoir – The Only Safe Place

Pelo blog Arte Metal - http://blogartemetal.blogspot.com/

Abattoir – The Only Safe Place
Heavy Metal Rock (http://www.hmrock.com.br/) – 1998 (relançamento) – Estados Unidos



A Heavy Metal Rock (loja, selo e gravadora), que está há mais de 27 anos no cenário Metal, traz para o mercado vários relançamentos das décadas de 80 e 90. São diversos títulos que fizeram parte da geração de ouro do Metal mundial.

Dentre eles está “The Only Safe Place”, Segundo petardo dos californianos do Abattoir, expressivo nome da cena Heavy Metal da década de 80. A banda era formada por Mike Towers (vocais), Mark Caro e Danny Olivero (guitarras), Mel Sanchez (baixo) e Danny Anaya (bateria) e investia em um estilo escasso nos dias de hoje, o famoso Speed Metal.

O disco é o sucessor do debut “Vicious Attack” e foi lançado originalmente em 1986. A evolução da banda era latente, tanto em suas composições quanto na produção. A qualidade da gravação ficou muito boa, ainda mais se levarmos em conta a remasterização que o mesmo ganhou em 1999 quando foi relançado pela Century Media.

Depois da bela intro “Beyond The Altar”, um som rápido, vigoroso e cativante dá início com “Bring On The Damned”, que abre com estilo o álbum, mostrando desde já a evolução da banda perante o primeiro álbum.

O som em “The Only Safe Place” é bem homogênio e não compromete a música proposta pelo grupo. Doses mais melódicas e mais maduras, também estão presentes no trabalho, o que deixou a banda com um pé no Heavy Metal tradicional, como podemos perceber na cadenciada e melhor faixa, na minha opinião, “Nothing Sacred”.

O peso das guitarras é um destaque a parte, já que a banda sofreu um pouco com a produção e timbre das cordas em “Vicious Attack”, o que deu uma cara bem melhor para banda neste aspecto.

Além das faixas já citadas, também podemos destacar “Temptations of The Flesh” e “Under My Skin”, que tem um belíssimo riff e uma execução fenomenal. Enfim, um disco que merece total atenção dos fãs do verdadeiro Metal oitentista.

Não se tem notícias concretas sobre a atual situação da banda, portanto no site de buscas Metal Archives (www.metal-archives.com) consta que a mesma está em atividade e sua formação atual conta com Mel Sanchez (baixo), Juan Garcia e Tim Thomas (guitarras), Steve Gaines (vocal) e Rob Alaniz (bateria).


NOTA 8,0

Por Vitor Franceschini


domingo, 15 de maio de 2011

DVD Emperor – Live at Wacken Open Air 2006 – ‘A Night of Emperial Wrath’

DVD Emperor – Live at Wacken Open Air 2006 – ‘A Night of Emperial Wrath’
Shinigami Records – 2009 – Noruega


A banda, que abandonou suas atividades em 2001, voltou em 2005 e novamente encerrou a carreira em 2007, dá aos fãs um presente de valor incalculável com esse registro histórico da apresentação na Alemanha.
Quanto ao pacote físico, a capinha é bastante simples, sem informações técnicas, exceto o tracklist e os extras. Faltou um capricho nessa parte, mesmo não sendo o principal da coisa.
Mas agora falando do show, já começa com boas impressões por ter sido filmado em widescreen. Maravilha. E você percebe a grande estrutura de filmagem usada no evento. Estão de parabéns, muito profissional. As imagens são muito bonitas e o som está impecável. A iluminação no palco também é muito boa, principalmente se contarmos que o show foi realizado ainda durante o dia, no final da tarde para ser mais exato. Os efeitos pirotécnicos, embora em pequena quantidade, também funcionam.
E alternam imagens coloridas e preto e branco (algumas câmeras com um leve granulado, mas que não incomodam), e em slow motion, dando um belo e profundo efeito visual, que termina por enriquecer ainda mais o produto. Já a edição é tradicional, sem muitas firulas ou grandes efeitos de vídeo. E para que tentar fazer coisas mirabolantes e desnecessárias, não é mesmo?
Em relação à apresentação, logo de cara percebe-se o quão experientes e seguros são os músicos. Afinal, estamos falando de Emperor, uma das maiores bandas norueguesas do mundo. Os caras não agitam muito no palco, exceto o tecladista Einar e o baixista Secthdaemon, que faz de sua cabeleira um ventilador à lá George “Corpsegrinder” Fischer (Cannibal Corpse). Ainda sim, o vocalista/guitarrista Ihsahn hipnotiza os fãs com seu carisma. E verdade seja dita: a Emperor tem a plateia na palma das mãos.
Como já era de se esperar, tocam seus grandes clássicos, começando muito bem com “Infinity Burning (medley)” e já emendam “Cosmic Keys to my Creations & Tims”, ambas fabulosas. Os grandes riffs de “An Elegy of Icaros” empolgam ainda mais ao vivo. E no todo, os solos de Ihsahn também chamam a atenção. Mas é na minha favorita, “The Loss and Curse of Beverence”, que a coisa fica mais espetacular. Na famosa paradinha da música, com o riff mortal que chama o blast beat para voltar ao mais agressivo e brutal black, tudo vem abaixo. Até a edição fica mais dinâmica nesse momento. Fantástico!
No geral, a facilidade com que executam seu black metal é fascinante. Observando os integrantes, parece fácil tocar um som tão complexo, o que gera maior admiração e identificação por parte do público. E mesmo eu não sendo adepto, é preciso admitir que os momentos em que há vocais limpos também embelezam a apresentação. A banda mostra no show porque foi (e é) uma das maiores do estilo. Detalhe: como todos sabem, é um conjunto tradicional que NÃO faz black tradicional. Como exemplos, usam teclado (um dos pioneiros) e as citadas vozes limpas, não se maquilam com corpsepaint, além de não ficarem o tempo todo tentando tocar o mais velozmente possível. Não. Eles são sim versáteis, e devo reafirmar aqui: é o Emperor, não qualquer banda.
Após cerca de 1h10 de apresentação, o quinteto se despede dos palcos, e deixa aquela sensação inesquecível que foi o show. 
                E nos extras, também com mais de 1 hora de duração, imagens amadoras de inúmeros trechos de outras apresentações da banda em palcos menores, sessão de autógrafo, coletivas de imprensa, enfim, bastidores em geral. Nada de excepcional, mas para quem é fã, deve agradar.
Quer um verdadeiro exemplo de uma apresentação black metal? Adquira o DVD urgentemente! Indispensável para fãs de música extrema. Mais do que isso, um registro da história do metal mundial.

NOTA 9,0

Obituary – Darkest Day

Obituary – Darkest Day
Shinigami Records – 2009 – Estados Unidos


Obituary, uma banda cujo verdadeiro fã de death metal tem praticamente a obrigação de curtir. Os caras são um dos mais carismáticos grupos da cena underground mundial, além de competentes músicos. E “Darkest Day” deixa isso mais do que evidente.
O grupo já abre o disco com uma das músicas mais violentas de toda a carreira, a maravilhosa “List of Dead”. Quem ouve é pego de surpresa, tamanha a brutalidade da faixa. Em seguida, voltam ao mais tradicional e irresistível death metal bem característico da banda, com as levadas lentas, mas pesadas e profundas de “Blood to Give”.
“Outside My Head” tem uma levada muito cativante. Você fica dividido entre admirar a música com atenção, e bater cabeça. “This Life” começa quente, e depois mantém a pegada firme e tradicional do Obituary. Outra grande música é a curta e direta “Violent Dreams”, veloz e matadora.
Os vocais únicos e inconfundíveis de John Tardy dão o tom do trabalho. Mas é claro que o time só funciona devido ao esforço de todos no quinteto. Ótimos riffs e levadas. Destaque para os solos, bastante inspirados, um melhor que o outro. Aliás, as músicas estão com mais solos do que de costume. De verdade, eles chegam a roubar um pouco a cena do trabalho. Seria uma (excelente) influência de Ralph Santolla? Esse guitarrista está se dando bem. Afinal, toca no Obituary e no Deicide. Que mais ele gostaria?
Como é de costume, o Obituary nos brinda com uma capa lindíssima e um encarte que, apesar de simples e novamente sem as letras, é funcional.
Entretanto a qualidade da gravação lembra a do álbum “Cause of Death” misturada com a do “The End Complete”. Nesse aspecto, já foi melhor, a exemplo de “Wolrd Demise” ou até do ao vivo “Dead”, cuja sonoridade soa mais “cheia”. Só não leva nota máxima por isso.
Pois bem, o Obituary continua a fazer aquele death/thrash consistente que o consagrou. Não mudaram em nada o estilo de suas composições (a não ser a quantidade de solos), o que é bom para quem gosta do conjunto, já que saberão o que encontrar. Mas o seguro “Darkest Day” vai além, e imediatamente entra para a lista de clássicos da banda. Inclusive me fez voltar a ouvir seus discos com mais frequência. Muito bom mesmo!

NOTA 9,0

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Entrevista – Expurgo

Entrevista – Expurgo

Demorou um tempinho, mas aqui está a entrevista com a Expurgo, grande expoente do grindcore nacional. Eles soltaram o primeiro full-lenght “Burial Ground” em 2010, um grande álbum de estréia (ver resenha em http://somextremo.blogspot.com/2011/04/expurgo-burial-ground.html ) que já os colocou como grande promessa nacional do estilo. E quem respondeu às perguntas foi o vocalista/guitarrista Philipe, que divide as vozes com Egon. Além deles, fazem parte da banda o baterista Anderson e o baixista Bruno. Com vocês, Expurgo.

Som Extremo: Conte um pouco da história da Expurgo.
Philipe: O Expurgo começou em 2003. Egon e eu não estávamos aguentando a seca para tocar após o fim do Putrifocinctor, nossa antiga banda. Então veio nosso amigo Anderson, que saíra do Sarcasmo, e botou uma pilha enorme. Para fechar a treta, juntou-se a nós o amigo Bruno, do Jacob Method. Fizemos o primeiro ensaio ainda em 2003, e logo de cara, foi tudo muito intenso e barulhento, com baquetas quebradas, testa sangrando com microfonada, e ouvido apitando por uma semana. Perfeito. Só precisávamos de um nome. Expurgo veio quando eu estava perdido em num hospital procurando uma pessoa e me deparei com uma placa escrito “sala de expurgo”. É um local onde todos os dejetos contaminados são despejados. Pronto, não poderia haver nome melhor.

Som Extremo: Vocês soltaram esse fantástico “Burial Ground”, grande álbum de estreia. Já se sentem pressionados para lançar um material que supere este?
Phil: Obrigado pelo elogio! Nós realmente gostamos deste disco, que foi feito com muitíssimo esforço de todos. Tivemos que dar uma subida de nível pra fazê-lo, com todos tocando melhor, mais maduros e diretos na composição. Sobre superar este material, não sentimos que estamos presos a ele, ou que agora temos que fazer cada vez melhor, não. Vamos fazer o que estiver rolando em nossa cabeça e boa. Quanto à pressão das pessoas que gostam do “Burial”, eu vejo como uma coisa boa e particularmente gosto disso, é uma pressão por mais grind, que me excita!

Som Extremo: A capa de “Burial Ground” é lindíssima, parabéns. Difícil chegar a esse resultado?
Phil: Cara, a capa é muito mérito do Fernando Camacho e do Anderson L.A, que a desenhou. Nós queríamos os zumbis na cidade porque era como nos sentíamos. Fomos conversando com o Fernando e ele foi chegando nesse desenho com o Anderson. Depois de algumas idas e vindas, chegamos a ela. Os caras tiveram muita moral de fazer esta capa, e deixo aqui mais uma vez meu agradecimento a eles por isso.
 
Som Extremo: Como é o processo de composição das músicas e das letras?
Phil: Composição é assim: no início, cada um vai pro seu canto, quase que uma solidão, se fecha e fica pensando no barulho, até o lance começar a virar um sentimento muito verdadeiro. Na hora que isso começa a aflorar em cada um, a gente se encontra e começa a bolar as ideias. Base de guitarra, letras, encaixes, tudo isso vem depois. Primeiramente procuramos uma proposta de qual caminho seguir, depois tudo fica muito natural e o resto da composição é só uma consequência. Se não fizermos assim, não rola. Fica forçado, artificial, e o resultado é uma mentira.

Som Extremo: Entre as canções, há a "Regurfecontovoremintoegues". O que significa? Fale um pouco dessa música/letra.
Phil: Seguinte cara, esse nomezão aí era título de uma música muito antiga não terminada do Putrifocintor (nossa ex-banda), e foi até cogitado para ser um dos nomes do conjunto, antes de chegarmos a Expurgo. Coisa de moleque cansado de ouvir aquela pergunta na escola: "Oh metal, comé que chama a sua banda?", "A minha banda se chama Regurfecontovoremintoegues, e não é metal, é grindcore, sacou?", hahahaha! É uma junção de várias delícias num nome só, um lance mais bem humorado, saca? Então, para a gravação desse disco, desenterramos isso daí. É um pouco da nossa veia noise!
 
Som Extremo: Como anda hoje a cena musical extrema mineira? Que bandas destacariam?
Phil: Tudo uma luta, né, cara. Não é muito diferente do resto do pais. A molecada da nova geração aí parece que não está curtindo muita música extrema. Ou se escuta, fica só na Internet e não frequenta o underground. Tá ficando raro ver alguém de 16 anos em show... então é uma batalha pra fazer um gig. Conseguir lotar uma casa tem virado caso raro. Por outro lado, as pessoas que ficaram realmente gostam do underground. A cena da música extrema hoje mais do que nunca é feita de pessoas que resistem à “cultura” vigente na sociedade. Pra quem quer conhecer melhor as bandas de MG, sugiro algumas pra começar. No punk: Filhos da Desgraça; no death metal: Pathologic Noise e Divine Death; no hardcore: Severa; no metal core: Colt.45 e The Imperial Betrayer; no heavy metal: Thespian; no grindcore: Mata Borrão; no black metal: In Nomine Belialis; no gore: Compulsive Vulvolatric Intruders (CVI). Comece por aí, depois indico outras se quiser.

Som Extremo: Uma pergunta para se pensar: quais as diferenças entre o grindcore nacional e o gringo, na sua opinião?
Phil: A diferença é que o gringo é bem produzido e divulgado (até demais às vezes), e o nacional não. O grind nacional é muito bom. Desde os primórdios teve identidade própria. Hoje inclusive muitas bandas cantam em português. Aqui o som é menos experimental e modista que o gringo, o que particularmente gosto muito. Muitas vezes não rola grana pra fazer aquela gravação de primeira e a cena é pequena, mas em geral são bandas muito fiéis ao ideal e não costumam dever muita coisa pra forte cena gringa não.
   
Som Extremo: Quais os planos futuros da Expurgo?
Phil: Continuar nos divertindo e nos expressando com o grindcore é o único plano. Sendo assim, espere ver o Expurgo tocando em tudo o que for buraco e lançando novas bagaceiras. Um segundo disco será feito em breve, mas antes iremos gravar ainda este ano material para um split com os alemães do Intestinal Infection.

Som Extremo: O blog Som Extremo agradece a entrevista. Phil, agora o espaço é seu.
Phil: Muito obrigado pelo espaço, Christiano, e parabéns pelo trabalho com o Som Extremo. Gostaria de deixar aqui um convite para aquelas pessoas que são admiradores da música extrema, mas por alguma razão desanimaram e não frequentam o underground: cara, talvez você tenha recebido algum panfleto na rua, ou viu na Internet o anúncio de um show na sua cidade com um monte de bandas que não conhece, NUM LUGAR “BARRA PESADA”, mas sabe que é rock pesado. Irmão, deixa de frescura e desculpas esfarrapadas, e vá a esse SHOW! Brigue com sua namorada ou seus pais que não querem deixar você sair, ou deixe seu filho na casa da avó, ou peça uma grana emprestada, não importa. Para com essa choradeira, oh filho da puta, pega aquela sua blusa preta no fundo da gaveta, e vai ver que, quando vesti-la, vai surgir um sorriso ANTIGO no seu rosto.  Lá no show a cerveja é gelada e barata, vai ver um monte de bandas fodas e vai para o meio do mosh, onde é o seu lugar, desgraçado!! Na volta pra casa, você vai se dar conta de que não precisa mais de terapia, e que por mais miserável que se sinta: TRUE METAL NEVER DIES, MOTHERFUKER!

Ebaaaaaaaa!

Só para registro, óia que chique:
http://whiplash.net/autores/christianokoda.html

Novo colaborador oficial do Whiplash!!!! Aeeeeeeeee!!!!!

Bem, e aqui estão os posts que foram apagados pelo Blogger enquanto esteve em manutenção. Na verdade, são os links das resenhas e entrevistas que saíram no http://www.whiplash.net/ :

Entrevista Facada:
http://whiplash.net/materias/entrevistas/130100-facada.html

DVD Ratos de Porão - Ao Vivo no Circo Voador:
http://whiplash.net/materias/dvds/130023-ratosdeporao.html

Deus Castiga - I'm alive fucking dead (demo)
http://whiplash.net/materias/demos/130027-deuscastiga.html

Grave - Burial Ground:
http://whiplash.net/materias/cds/130025-grave.html


Agradeço a todos os que de alguma forma ajudaram na divulgação do blog!!! Valeu mesmo!!!